Menu Idioma atual: Português. Mudar para English.
Idioma atual: Português. Mudar para English.

Metodologia

A metodologia foi baseada em uma dissertação de mestrado sobre o desenvolvimento de heurísticas no contexto da educação (Silva, 2017) e dividida em quatro estágios: exploração, análise, síntese e verificação.

Nesta etapa, serão apresentadas as entrevistas de verificação, as explicações detalhadas de cada recomendação e os resultados finais da exploração.

Entrevistas de verificação

Após o desenvolvimento da síntese propositiva do conjunto de recomendações de acessibilidade visual em materiais educacionais, concluído no estágio anterior, a metodologia previa que, no estágio de verificação, se executasse a coleta de dados com especialistas através de entrevistas.

A primeira ação executada pelas autoras foi iniciar a elaboração de um instrumento para as entrevistas, para que os participantes pudessem fornecer informações sobre: o alinhamento das recomendações propostas com os padrões e práticas de acessibilidade; a coerência dos exemplos dados para cada recomendação com esses padrões e práticas; se a palavra "heurística" exprime adequadamente a ideia do que foi apresentado; a implementação efetiva das recomendações no processo de aprendizagem; e a importância da comunicação professor-estudante.

As entrevistas foram marcadas nos meses de março a maio de 2024 entre as autoras e onze especialistas, aqui especificados como professores do curso de Design e outras áreas de ensino, estudantes da graduação com deficiência visual e técnicos-administrativos que promovem a inclusão de pessoas com deficiência na UTFPR, bem como especialistas em acessibilidade, entre outros profissionais e pessoas relacionados ao tema, assim apresentados no Quadro 14 com codinomes para preservação da sua integridade, tal qual a descrição de sua especialidade, por meio de e-mails pessoais, reservando uma data e horário mais adequado para ambas as partes, a fim de não atrapalhar qualquer tarefa (doméstica ou trabalhista) evitando problemas de interferências externas como reuniões, clientes, telefonemas, etc.

Quadro 14 — Lista de especialistas
# Codinome Especialidade
1 Adriano Estudante com deficiência visual da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
2 Bruna Monitora de estudante com deficiência visual na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
3 Camila Pedagoga especialista em deficiência visual e educação inclusiva e professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
4 Daniel Pedagogo do Núcleo de Apoio Pedagógico e Estudantil – NUAPE da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
5 Emília Diretora e pedagoga da Associação de Pais e Amigos de Deficientes Visuais – APADEV
6 Fernanda Doutora em ergonomia e professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
7 Gabriela Especialista de Design Inclusivo – DI do Grupo Boticário
8 Henrique Product Designer do Grupo Boticário
9 Igor Especialista em acessibilidade e Design Ops Manager do Banco Carrefour
10 Jéssica Designer gráfica com deficiência visual
11 Kátia Product Designer do Grupo Boticário
Descrição do quadro

O Quadro 14, intitulado "Lista de especialistas", relaciona os 11 participantes da etapa de verificação do projeto. A tabela omite os nomes reais, utilizando "Codinomes" de 1 a 11, pareados com a "Especialidade" de cada indivíduo para atestar o rigor acadêmico e o nível de conhecimento da amostra. O grupo é composto por estudantes com deficiência visual, pedagogos especialistas em educação inclusiva, diretores de associações, doutores em ergonomia e designers de produto/acessibilidade com atuação no mercado (como em empresas como Grupo Boticário e Banco Carrefour).

Essas foram conduzidas na plataforma Google Meet, com a apresentação do instrumento de entrevista realizada na plataforma Miro. A duração estipulada foi de uma hora, pois os participantes poderiam ficar cansados, desmotivados e com foco reduzido nas respostas, prejudicando a análise dos dados.

O instrumento de entrevista, apresentado neste trabalho no Apêndice A, trazia o nome do presente trabalho, uma breve explicação do termo "heurística" e uma descrição do funcionamento da entrevista, além disso, continha um formulário com o nome do entrevistado, sua especialidade, a data da entrevista e informações adicionais. Os nomes das recomendações e seus detalhamentos eram apresentados em cards em que a ordem dos tópicos abordados não era fixa, portanto, as entrevistadoras elaboravam as perguntas conforme a evolução da entrevista e o nível de respostas dos participantes.

As entrevistas foram gravadas para possibilitar uma análise detalhada de seus conteúdos, a fim de identificar aspectos importantes para o estudo. Os registros foram feitos manualmente, e todas as entrevistas foram analisadas e exportadas para um formato padronizado proposto pelas autoras.

Síntese definitiva

Após as entrevistas, foi feita uma análise dos principais tópicos levantados por cada especialista, apresentados na seção anterior. A partir dessa análise constatou-se a necessidade de reestruturar as recomendações, com as maneiras apontadas pelos entrevistados para promover o conteúdo instrucional dentro da perspectiva da acessibilidade visual em materiais educacionais. O Apêndice C apresenta a transformação dessas recomendações.

Uma característica marcante no processo de reajuste foi a inconsistência de padrões identificada nos conjuntos analisados. Algumas recomendações de diferentes conjuntos puderam ser integralmente associadas a uma das categorias definidas. No entanto, outras precisaram ser desmembradas e associadas a várias categorias. Além disso, novas categorias foram criadas para acomodar novas recomendações. Uma dessas ações pode ser observada no Quadro 15, a seguir.

Quadro 15 — Quadro da recomendação e suas versões (Recomendação 08)
Denominação Versão Redação
Consistência Versão I É importante garantir que as diferentes informações e materiais sejam consistentes em formato e estrutura para cada estudante com deficiência visual.
Entendimento Versão I É importante desenvolver e apresentar o conteúdo educacional de maneira clara e concisa, garantindo que seja facilmente assimilado e compreendido pelo estudante com deficiência visual. Isso inclui promover a relação entre teoria e prática, utilizando códigos e denominações que reduzem a carga de memória e trabalho, proporcionando acesso direto e rápido à informação relevante.
Coesão do conteúdo Versão II É importante desenvolver e apresentar o conteúdo educacional de maneira clara e concisa, garantindo que as diferentes informações e materiais sejam consistentes em formato e estrutura, assegurando que seja facilmente assimilado e compreendido pela pessoa estudante, incluindo aquela com deficiência visual.
Coesão do conteúdo Versão III É recomendável desenvolver e apresentar todo conteúdo didático com clareza, coerência e coesão, de linguagem, formato e estrutura, entre as diferentes informações e recursos, de modo que favoreça o acesso e compreensão de todo(a) estudante, inclusive aquele(a) com deficiência visual.
Coesão do conteúdo Versão IV É recomendável disponibilizar a todo(a) estudante, inclusive aquele(a) com deficiência visual, todo conteúdo didático com clareza, coerência e coesão, de linguagem, formato e estrutura, entre as diferentes informações e recursos, que garanta o acesso e compreensão com autonomia.
Descrição do quadro

O Quadro 15 ilustra como ocorreu o desdobramento e a evolução das propostas na fase de Síntese Definitiva. Ele toma como exemplo a "Recomendação 08" (Consistência) demonstrando a sua transição textual. A tabela exibe a "Versão I" separada das diretrizes anteriores (Consistência e Entendimento), a "Versão II" unindo-as em "Coesão do Conteúdo", passando pela "Versão III" de refinamento semântico, até chegar à "Versão IV", que é o texto claro, conciso e definitivo que compõe o quadro canônico das diretrizes de acessibilidade visual.

Uma questão significativa surgida durante o processo foi a mudança do termo "heurística", que, amplamente não conhecido, necessitava de explicação ao ser mencionado, causando estranheza entre os entrevistados. Para resolver essa problemática, foi necessário adotar uma nova nomenclatura. As autoras decidiram que "recomendação" seria mais apropriado para este trabalho, uma vez que foi esse o termo mais mencionado entre os entrevistados. A escolha dessa terminologia garantiu, então, que todos os sujeitos compreendessem este trabalho de forma clara.

Outra questão importante nesse estágio foi a necessidade de incluir explicitamente a menção a "[...] todo(a) estudante, inclusive aquele(a) com deficiência visual [...]", garantindo que as recomendações abrangessem todos os estudantes, conforme previsto pelo significado de desenho universal. Esse conceito é centrado no ser humano e respeita os diferentes graus de dificuldade que as pessoas enfrentam ao usar um produto, serviço ou ambiente. Ao incorporar essa perspectiva, assegurou-se que as recomendações fossem inclusivas e acessíveis, promovendo a equidade e a consideração de todas as necessidades e habilidades dos estudantes, independentemente de suas condições visuais.

Portanto, foi inevitável realizar ajustes nas recomendações do conjunto para padronizar o quadro sistemático produzido e facilitar sua interpretação e consistência. Essas alterações incluíram a ordenação de cada recomendação em cinco componentes: abertura, verbo, público-alvo, recomendação e habilidade. Esse novo formato ajudou a clarear a estrutura das recomendações, tornando-as mais acessíveis e compreensíveis para todos os envolvidos. Uma dessas reestruturações é ilustrada no Quadro 16, a seguir.

Quadro 16 — Quadro sistemático das recomendações
Abertura Verbo Público-alvo Recomendação Habilidade
É recomendável disponibilizar a todo(a) estudante, inclusive aquele(a) com deficiência visual, toda informação, treinamento, recurso ou condição que garanta a participação em todo espaço e atividade da Instituição de Ensino Superior – IES com autonomia.
Descrição do quadro

O Quadro 16, intitulado "Quadro sistemático das recomendações", divide a estrutura gramatical das recomendações finais em cinco colunas, exemplificando a lógica aplicada à sua redação. A coluna "Abertura" define o imperativo "É recomendável"; o "Verbo" aponta a ação "disponibilizar a"; o "Público-alvo" especifica "todo(a) estudante, inclusive aquele(a) com deficiência visual"; a "Recomendação" indica "toda informação, treinamento, recurso ou condição que garanta a participação em todo espaço e atividade da Instituição de Ensino Superior – IES"; e a "Habilidade" fecha a diretriz com "com autonomia".

Além disso, as entrevistas revelaram diversos questionamentos sobre as recomendações, como quem seria responsável por aplicá-las e como seriam implementadas. A estratégia adotada pelas autoras durante a conversão foi propor quatro níveis de informação para expressar suas recomendações: nome, responsável, recomendação e oportunidade. O primeiro nível corresponde ao título de cada recomendação, expresso de maneira genérica para abranger o máximo de situações possíveis. No segundo nível, denominado "responsável", foram identificados os envolvidos na implementação da recomendação. O terceiro nível descreve a recomendação em si. E, no quarto e último nível, chamado "oportunidades", foram incluídos exemplos práticos e/ou explicações mais detalhadas sobre cada recomendação.

Em um refinamento final do projeto, promoveu-se uma revisão minuciosa da redação e o reagrupamento estratégico das diretrizes. Dessa forma, as 12 recomendações definitivas foram organizadas por similaridade em três eixos centrais de atuação e responsabilidade: Instituição de Ensino Superior (IES), Professor(a) e Recurso.

Após as rigorosas etapas de validação, o conjunto de recomendações consolidou-se como uma base robusta e coerente, capaz de lidar com a complexidade da inclusão e da acessibilidade educacional. O resultado definitivo desse processo metodológico constitui o núcleo deste site e está traduzido em ferramentas e diretrizes práticas, prontas para consulta.

Acessar as 12 recomendações

Recursos assistivos

Ajustes aplicados imediatamente e guardados neste navegador.

Texto

Tamanho do texto

Cor e tema

Tema
Modo de cor

Leitura e navegação

Enviar feedback

Colabore com o RARE

É por aqui que respondemos ao seu contato.

Universidade, escola, núcleo de acessibilidade, área de atuação — o que ajudar a situar sua proposta.

Como você gostaria de colaborar (opcional — marque quantas quiser)

Descreva como gostaria de participar e o que traz para o projeto. Não inclua dados pessoais sensíveis.

Os dados enviados são usados somente para avaliar e responder à sua proposta de colaboração, conforme a Política de Privacidade.